Uma corretora fascinada por moda, design e artesanato ou simplesmente uma ariana ...
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Há noites em que a chuva parece saber exatamente do que precisamos.
Depois de uma sexta-feira exaustiva, quando o corpo ainda carrega as exigências do dia e a cabeça insiste em repassar o que ficou por fazer, o primeiro pingo que encontra a janela parece anunciar que, por algumas horas, o mundo pode esperar.
Então vem o banho quente.
A água escorre pelo corpo, levando consigo um pouco da pressa, algumas preocupações e aquela tensão que a gente nem percebia que estava acumulando. Depois, um roupão fofinho, cheiroso, envolvendo a pele como um abraço. E, nas mãos, uma xícara de chá.
Lá fora, a chuva continua.
Aqui dentro, alguma coisa começa a silenciar.
É curioso como o silêncio nem sempre é ausência de barulho. Às vezes, ele chega justamente quando o barulho certo nos encontra. O som da chuva no telhado, o vento passando pelas frestas, o pequeno ruído da xícara repousando sobre a mesa. Tudo parece dizer que, naquele instante, não há nada a resolver.
E é então que o corpo, finalmente relaxado, consegue se entregar ao momento.
Cada pingo d'água parece vir literalmente do céu para afagar a alma. Como se a chuva tivesse descido para nos desligar, por alguns instantes, de tudo aquilo que exige, cobra, apressa e pesa.
Não precisamos produzir nada. Explicar nada. Alcançar nada.
Podemos apenas estar.
Talvez seja essa uma das formas mais bonitas de descanso: quando deixamos de tentar controlar o tempo e permitimos que ele nos acolha. Quando o cuidado deixa de ser uma tarefa e se transforma em presença. Quando uma noite comum, uma chuva qualquer e uma xícara de chá se tornam suficientes.
Há uma entrega indescritível nisso.
E necessária.
Porque, às vezes, o que a alma pede não é uma resposta, uma solução ou um novo começo.
É apenas uma noite de chuva.
E a permissão para ouvi-la em silêncio.
Cindy Ferreira de Vasconcelos
@cindyferreira_oficial